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Frigorífico organizado, dia facilitado

A segurança alimentar é um fator importantíssimo a ter em conta no armazenamento dos alimentos. Os perigos alimentares associados a uma incorreta conservação poderão colocar em risco a saúde dos indivíduos.

Desta forma, é essencial conhecermos alguns termos e particularidades para uma adequada refrigeração e congelação de forma a facilitar o dia-a-dia e a nossa segurança.

Quanto à resistência a alterações, os alimentos podem ser classificados em:

  • Perecíveis – quando se alteram com muita facilidade e a sua “vida útil” é de algumas horas ou dias, e por isso mesmo, devem ser armazenados no frio.
  • Semi-perecíveis – quando se alteram com menos facilidade que os perecíveis e a sua “vida útil” é de algumas semanas a meses.
  • Não perecíveis – quando se mantêm inalterados durante longos períodos de tempo e, quando a sua “vida útil” é de vários meses a anos, como no caso dos alimentos secos e enlatados.
A temperatura adequada de um frigorífico deverá ser inferior a 5ᵒC

A esta temperatura os microrganismos quase não se multiplicam e dessa forma os alimentos têm uma durabilidade maior. Os alimentos, para serem considerados seguros, têm que ser conservados de acordo com as suas características. Isto vai permitir aumentar o seu tempo de vida útil e a sua capacidade de conservação, e, consequentemente, retardar ou mesmo inibir o desenvolvimento de microrganismos.

Nos frigoríficos domésticos a temperatura não é uniforme em todos os compartimentos, existindo zonas mais frias e zonas menos frias.

As zonas mais frias situam-se na prateleira inferior, que se encontra acima das gavetas, enquanto que as zonas menos frias encontram-se nas prateleiras superiores, nas gavetas e nas prateleiras da porta, contudo as características técnicas de cada frigorífico podem contribuir para pequenas variações nesta distribuição.

1- Na prateleira superior devem estar: Laticínios, compotas, bolos e alimentos com indicação “refrigerar após aberto”.

2- Na prateleira intermédia devem estar: Pratos cozinhados, charcutaria, conservas abertas, ovos frescos e alimentos com indicação “refrigerar após aberto”.

3- Na prateleira inferior devem estar: Carne ou peixe frescos ou em fase de descongelação.

4- Nas gavetas devem estar: Hortofrutícolas frescos.

5- Na porta devem estar: Leite, bebidas de origem vegetal, molhos, sumos de fruta, água e outras bebidas.

Os equipamentos de congelação de uso doméstico mais comuns, caracterizam-se por possuírem uma temperatura inferior ou igual a -18ᵒC

Nestes, a temperatura é uniforme em todo o compartimento, pelo que é indiferente o local onde se colocam os alimentos. Uma boa prática de congelação é a colocação de etiquetas nos alimentos com a indicação do tipo de alimento e a data em que foram congelados.

Cuidados a ter…

Uma boa arrumação do frigorífico pode simplificar o dia-a-dia, por exemplo, ao colocar os alimentos que estão próximos do fim da validade nas prateleiras da frente, sabe que são estes que devem ser consumidos em primeiro lugar não correndo assim o risco de se estragarem.

Por vezes temos a tendência de querer guardar o máximo de coisas no frigorífico, enchendo-o até não sobrar mais espaço, mas não o devemos fazer pois o ar frio deve circular livremente para se conseguir manter todos os alimentos a uma temperatura adequada.

Para guardar os alimentos no frigorífico deverá acondicioná-los em recipientes adequados, sejam de plástico resistente ou vidro, com a descrição do tipo de alimento e a data em que foi confecionado. Dessa forma vai ter sempre noção da sua validade e evita também a contaminação cruzada.

De modo a inibir o desenvolvimento de microrganismos, os alimentos devem ser mantidos a temperaturas acima dos 60ᵒC ou abaixo dos 5ᵒC, pelo que não deve deixar à temperatura ambiente os alimentos cozinhados por mais de 2 horas.

Ao colocar os alimentos quentes diretamente no frigorífico, vai contribuir para o aquecimento generalizado do mesmo e consequentemente para o aumento da temperatura dos alimentos ali presentes. Assim, não devem ser colocados alimentos quentes diretamente no frigorífico, pelo que deverá arrefecê-los no menor tempo possível (colocando-os em água fria, por exemplo), evitando que o número de microorganismos aumente.

Posteriormente, estes alimentos já frios deverão ser guardados adequadamente no frigorífico no máximo por 3 dias, e apenas devem ser reaquecidos uma vez.

Para descongelar os alimentos deverá deixá-los na véspera no frigorífico, fazê-lo no micro-ondas, ou ainda passá-los por água corrente para acelerar o processo, assegurando que o seu interior se encontra descongelado. Nunca deve fazê-lo à temperatura ambiente ou dentro de água.

Os sucos provenientes da descongelação, como ocorre com a carne e peixe cru, devem ser escoados adequadamente de forma a não contactarem e contaminarem outros alimentos. Após estar descongelado o alimento deve ser utilizado num prazo máximo de 24 horas.

Nunca volte a congelar um alimento que já foi congelado. Distribua os alimentos que vai congelar em várias porções, congelando-os em diferentes recipientes, de forma a descongelar os alimentos à medida que necessita deles.

De forma a preservar a cor dos vegetais frescos após a congelação, deverá fazer uma imersão rápida em água a ferver e passar de seguida por água fria, antes da devida congelação, num processo designado por branqueamento.

Quando se começa a acumular gelo no frigorífico ou no congelador, vai haver um comprometimento do seu funcionamento normal, pelo que estes deverão ser descongelados. Deverá ainda, higienizá-los mensalmente e/ou sempre que seja necessário utilizando água e detergente da loiça/desinfetante ou água e vinagre.

Deverá limitar o número de vezes que abre a porta do frigorífico e do congelador, de forma a evitar variações de temperatura.

Sabia que →

Os ovos não devem ser colocados na porta do frigorífico, quer devido à facilidade de se partirem, quer pelo facto de este local ser o menos refrigerado.

Sugestão →

Para conservar durante mais tempo os legumes e frutas, forre as gavetas do frigorífico com papel de cozinha, desta forma vai ajudar a absorver a humidade presente nestes alimentos.

Patrícia Maio Rodrigues

Patrícia Maio Rodrigues

Referências Bibliográficas:

ASAE. (2017). Conservação dos Alimentos no Frio. Consultado a 15 de dezembro de 2019 em https://www.asae.gov.pt/perguntas-frequentes1/conservacao-dos-alimentos-no-frio.aspx

Associação Portuguesa de Nutrição. (n.d.). Como posso poupar no armazenamento doméstico?. Dia Mundial da Poupança. Volume II

Associação Portuguesa de Nutrição. (2018). Segurança Alimentar: Princípios Básicos. Porto.

Guerreiro, A., Poeta, A., Rodrigues, A., Vasconcelos, C., Biel, F., Mateus, P. M., … Sancho, S. T. (2018). “O prato certo”. Guião de Educação Alimentar (1a Edição).

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Viegas, J. S. (2014). Segurança Alimentar: Guia de Boas Práticas do Consumidor. Lisboa