Mel

O mel foi um dos primeiros alimentos do homem e era utilizado na antiguidade para abençoar casas, como tributo aos deuses, como pagamento ou na medicina tradicional. Era utilizado para tratar vários problemas apesar de não se saber o que o tornava eficaz. Hoje em dia têm vindo a provar-se algumas das suas propriedades antioxidantes, anti-tumorais, antimicrobianas, anti-inflamatórias entre outras, mas ainda há dúvidas acerca de muitos dos seus benefícios.

As abelhas produzem o mel para assegurar a sua sobrevivência mas ao mesmo tempo asseguram a polinização e sobrevivência de várias plantas. O mel é constituído principalmente por hidratos de carbono, e também tem na sua composição aminoácidos, água, vitaminas, minerais e outros compostos como enzimas, ácidos orgânicos, carotenoides, pigmentos e substâncias aromáticas.

Variações na espécie de abelhas, nas flores, nas regiões geográficas ou no clima podem alterar a composição, cor, sabor e aroma do mel. Já depois de ser produzido factores como o processamento, o armazenamento, o tipo de embalagem e a manipulação, entre outros, também podem alterar as suas características.

Os principais responsáveis pela doçura do mel são a glucose e a frutose. Os hidratos de carbono são moléculas muito abundantes e alguns deles, como por exemplo os açúcares e o amido, fazem parte da dieta da maior parte das pessoas. Podem ser divididos em três categorias tendo em conta o seu tamanho: monossacáridos, oligossacáridos ou polissacáridos.

Os monossacáridos são constituídos por uma única molécula, sendo que o mais abundante na natureza é a glucose. Os oligossacáridos são cadeias curtas de duas ou mais moléculas unidas entre si e o mais normal é encontrarmos cadeias de duas moléculas, ou dissacáridos, como por exemplo o açúcar de cana. Os polissacáridos são cadeias de 20 ou mais moléculas (que podem chegar às centenas ou milhares de moléculas), e podem ser cadeias lineares ou ramificadas. Por norma os monossacáridos e dissacáridos têm nomes que terminam em “ose” (glucose, frutose, dextrose, etc.).

A concentração de frutose e glucose, assim como o rácio entre os dois, variam de mel para mel e podem servir para identificar variedades específicas de mel. Em quase todos os tipos de mel a frutose é o açúcar em maior proporção, mas alguns, como o mel de colza ou de dente-de-leão podem ter a fração de glucose superior à de frutose.

O mel tem cerca de 0,25% de proteína, principalmente na forma de enzimas e aminoácidos e tem também pequenas quantidades de vitaminas, principalmente as do complexo B e vitamina C. Os compostos minerais também são encontrados em vários tipos de mel (há maior teor de minerais em tipos de mel mais escuros) e variam com base no tipo de solo das plantas visitadas pelas abelhas.

A atividade antioxidante do mel deve-se à presença de catalase, ácido ascórbico, oxidase, e flavonoides, entre outros compostos. O seu efeito anti-inflamatório tem sido ligado a diferentes flavonoides que inibem o desenvolvimento da inflamação, e o seu baixo conteúdo em água inibe o crescimento de bactérias contribuindo, para a atividade antibacteriana.

O mel voltou a ganhar popularidade como agente antibacteriano devido ao aumento da resistência aos antibióticos. Existem de momento várias aplicações clínicas para o mel, como por exemplo em queimaduras, em úlceras, em feridas infetadas sem resposta aos antibióticos, na cicatrização após a extração de dentes em crianças e há estudos que parecem indicar um possível uso do mel na prevenção da osteoporose.

Curiosidade

Curiosidade:

Em Portugal existem vários tipos de mel com Denominação de Origem Protegida (DOP), um selo que garante um produto de qualidade com características únicas. O consumo de produtos DOP promove não só o combate à fraude, mas também protege e valoriza os apicultores locais contribuindo para a preservação dos ecossistemas.

Mito

Mito:

Muitos consumidores têm a noção de que a frutose, usada em substituição do açúcar branco, é mais saudável por ser proveniente da fruta, no entanto isto não é verdade.
Como um açúcar adicionado, a frutose está ligada a vários problemas de saúde como hipertensão arterial, diabetes ou doença renal entre outros.
Já o seu consumo na fruta, onde se encontra naturalmente presente, parece ser benéfico pois a frutose está acompanhada de antioxidantes, flavonoides, potássio, vitamina C e fibras, que podem contribuir para atenuar as suas consequências negativas.

Autora: Helena Salgado Guerreiro

Referências Bibliográficas